O cão danado

Moro em um prédio que tem quatro apartamentos por andar. E todo mundo que mora em prédio sabe: condomínio é uó. Se morar em casa dá mais gasto, é mais inseguro, é mais barulhento por ser mais perto da rua e tal, morar em apartamento é uma selva, porque é muita gente morando muito junto. E o ser humano, convenhamos, não é a espécie mais sensata deste planeta.

Outro dia desses cheguei em casa e meu marido tava puto da vida. Motivo? Satanás, o cachorro da vizinha (o nome dele não é esse. Este é o carinhoso apelido que os meus vizinhos adolescentes do outro apartamento deram ao cão, de tão doce que o animal é). O dito cujo se soltou e o pobre do meu cônjuge ficou meia hora – eu disse MEIA HORA – preso dentro de casa com o cachorro arranhando e avançando contra a nossa porta. Tudo pq ele cometeu a ousadia de abrir a porta na hora q o cão danado se soltou.

Aí o meu marido se revoltou, ligou pro síndico e tal. De noite ele encontrou com a dona de Satanás e ela pediu desculpas pelo ocorrido. Deu aquela desculpa de peidorreiro que todo dono de cachorro bravo dá qdo não consegue controlar seu animal: ele é mansinho, só queria brincar. Tá, com metade da minha perna dentro da boca? Fala sério.

Hoje de manhã, domingo, quase aconteceu de novo – mas dessa vez tive q me segurar pra não encarar o cachorro e dar uns tapas na dona dele. Meu filho de quatro anos ia saindo do apartamento, com a minha madrinha, para brincar na casa da minha mãe (sim, além de minha mãe ela tb é minha vizinha, moramos no mesmo prédio). O desgraçado do cachorro não se soltou de novo? Daí minha madrinha, que é de circo, pegou meu filho no colo e voltou correndo pra dentro da minha casa. Olhamos no olho mágico e minha mãe, pê da vida, foi pro porteiro registrar a queixa no livro de ata do condomínio.

Qdo ela tá na portaria com a minha madrinha e meu filho, quem sai do elevador? A vizinha e a porra do cachorro!!!!!! Veio correndo pedir desculpas, disse q o cachorro só sai aos domingos, mimimi mómómó. Mas não teve jeito. Minha mãe registrou a queixa mesmo assim.

Pior é q meu filho já tinha horror e pânico de cachorro. Agora mesmo que o garoto não vai querer ver nem cachorro de pelúcia. Periga até boicotar o desenho do Scooby-doo na TV. Acho que vou mandar a conta do terapeuta pra vizinha. Aí ela aprende a controlar aquele bicho dos infernos.

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A nesga do banco

Como este blog é novo, quem passa por aqui não tem como saber. Mas há quase um ano eu fiz uma cirurgia bariátrica, a popular redução de estômago. Perdi 42kg, faltam 12, mas como engravidei agora esta meta vai ter que esperar um pouquinho.

Estou fazendo este preâmbulo pra contar um lance que aconteceu ontem, na van que peguei pra vir do Centro pra casa. Tô eu na fila, e na minha frente tinha um cara muito, muito, muito gordo. E pra azar meu, o cara sentou na mesma fileira q eu, junto com uma outra gordinha. O q aconteceu? Sobrou uma nesga de banco pra eu sentar, e vim me equilibrando de lá até em casa.

Não quero ser a “ex-gorda-que-está-se-achando”, mas isso me fez pensar em como a gente às vezes é maluco sem saber. Qdo eu tava pra operar, do alto do meu IMC 43, meu marido encheu meu saco pra fazer fotos do “antes”. Eu vi uma coisa. Qdo fui fazer minha primeira foto do depois, levei um susto. Eu sinceramente não me via daquele tamanho todo.

Sério, gente. Eu não me via daquele tamanho. Eu tava um monstro, e não achava q estava. E cada vez que eu vejo uma foto daquele tempo, mais eu me espanto com o que eu era e não acreditava que era. E penso: meu Deus, as coisas q eu fazia daquele jeito! As roupas q eu vestia! onde estava minha auto-censura?????

Foi o q eu pensei dos dois tios gordos que se sentaram do meu lado e ocuparam quase o banco inteiro da van. De repente, eles não têm idéia do espaço q ocupam – sem gracinhas. E isso é muito ruim, pq aí eles não têm como mudar, sei lá.

Sei q fiquei sem graça de mudar de lugar qdo vi como eu viria pra casa. Pensei em como eu ficaria se alguém se recusasse a sentar do meu lado – mentira, lembrei de como eu me senti todas as vezes q isso aconteceu, na van, no ônibus, no metrô. Ninguém quer sentar do lado do gordo.

Acho até q os gordos deviam se unir mais, pq se alguém se recusa a sentar do lado do preto a história pode acabar na delegacia. A mesma coisa com o viado. E se alguém não quer ficar do lado do gordo, o q acontece? Nada. Quer dizer, nada em termos: o q acontece é o gordo deprimir, chegar em casa e pedir pizza, ou descongelar uma lasanha, ou tomar um pote de sorvete, ou qualquer outra dessas coisas deprimentes. Eu mesma já fiz muito disso. Não quero fazer mais.

Sei q depois vou desenvolver outra maluquice qualquer, mas gosto de pensar q estou conseguindo deixar as doideiras de gordo sob controle. Rá, sei, tá bom.

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Todo mundo louco, oba

Eu sou jornalista. Sou mãe e vou ser mãe de novo. Moro em um subúrbio do Rio e trabalho no Centro. Aliás, trabalho muuuuuuuuuuuuuuuuito. Gosto do trânsito e de dirigir. Ando de ônibus e de van. Definitivamente, sou mesmo uma pessoa doida. E faço parte deste mundo, oras.

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